Anac autoriza mais uma empresa aérea de baixo custo a operar no Brasil; a empresa JetSmart vai fazer a rota Chile e Brasil

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou hoje (5) a entrada da companhia aérea JetSmart no país. A empresa, de baixo custo (low cost), pertence ao fundo norte-americano Índigo Partners. De acordo com a agência, a JetSmart pretende iniciar a operação de rotas internacionais entre o Chile e o Brasil.

 

A aprovação diz respeito à subsidiária chilena da empresa. Antes, no final de agosto, a Anac já havia aprovado a autorização para a subsidiária argentina da empresa operar voos entre o Brasil e a Argentina.

 

“Além da JetSmart, outras quatro empresas de baixo custo vieram para o país desde a abertura de mercado com a desregulação da franquia de bagagem despachada, sendo que três empresas estrangeiras já ofertam passagens: a chilena Sky Airlines (partindo de Santiago para o Rio de Janeiro/RJ e para Guarulhos/SP desde novembro/2018); a europeia Norwegian (com a rota Londres-Galeão desde maio de 2019); e a argentina Flybondi (ofertando voos da Argentina para o Galeão e para Florianópolis com início a partir de outubro de 2019)”, informou a Anac.

 

Pela regra atual, os passageiros podem levar até 10 quilos como bagagem de mão. A volta da franquia de bagagens chegou a ser aprovada pelo Congresso Nacional, mas foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro. O veto ao trecho que recriou a franquia de bagagens, determinando o limite de 23kg como despacho gratuito de bagagem para aviões com capacidade de mais de 31 lugares ainda não foi apreciado pelo Congresso Nacional.

 

Fonte: Agência Brasil

Em live, presidente Jair Bolsonaro defende escolha de Augusto Aras para a PGR

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou a sua live semanal no Facebook, na noite de ontem (5), para defender a indicação do subprocurador-geral Augusto Aras para comandar a Procuradoria Geral da República (PGR). A indicação foi formalizada mais cedo pelo presidente.

 

Ao mencionar as críticas que tem recebido de parte de seus eleitores, por causa da escolha, Bolsonaro reforçou que o indicado tem compromissos em diferentes áreas de atuação. “Não basta apenas ter alguém lá que combata a corrupção. Tem que combater a corrupção? Tem. Mas tem também que ser sensível às outras questões”, disse.

 

O presidente disse que a questão ambiental teve um peso na escolha do nome. “Vamos supor que a gente bote alguém lá que não pode ver uma vara de bambu sendo cortada que já processa todo mundo. Como é que ficaria alguém que tivesse uma visão muito radical na questão ambiental? Como é que ficaria o agronegócio no Brasil?”, acrescentou Bolsonaro.

 

Para o presidente, alguém com uma visão, segundo ele, “radical” sobre o meio ambiente também poderia comprometer projetos de infraestrutura no país.  “Quantas vezes você teve conhecimento, e ainda no momento, [quando] você quer rasgar uma estrada e entra o Ministério Público alegando as condições ambientais, dificulta e aquela estrada leva 5, 6, 10, 15 anos ou não sai?”, indagou.

 

Bolsonaro pediu que seus apoiadores deem uma chance e aguardem o desempenho do futuro PGR antes de fazerem juízo de valor sobre a escolha. “Dá uma chance para mim. Você acha que eu quero botar alguém lá para atrapalhar a vida do Brasil?”.

 

Abuso de autoridade

 

Participaram da live ao lado do presidente os ministros Sergio Moro (Justiça e Segurança Pùblica), Wagner Rosário (Transparência e Controladoria Geral da União), Jorge Oliveira (Secretaria Geral da República) e André Mendonça (Advocacia Geral da União). Cada um deles se alternou em defesa dos vetos presidenciais, anunciado ontem, ao projeto de lei sobre abuso de autoridade. No total, o presidente vetou 36 dispositivos em 19 artigos da norma.

 

“A palavra final depende do Congresso. O que nós sancionamos, uma vez publicado, passa a ser lei. O que nós vetamos vai para apreciação do Congresso. Essa é a regra do jogo, sempre foi assim”, destacou Bolsonaro. Para derrubar os vetos, o Congresso Nacional, em sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, precisará de quórum qualificado, com maioria de 257 votos, contra cada um dos dispositivos. Se esse número de votos contrários não for atingido, o item vetado é mantido.

 

Fonte: Agência Brasil

 

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Raquel Dodge é alvo de ação no STF por negar vaga de garagem a subprocurador

Na reta final do mandato de Raquel Dodge como procuradora-geral da República, o subprocurador Moacir Guimarães entrou ontem (5) com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra ato dela que negou disponibilizar uma vaga na garagem a um servidor.

 

Dodge, que fica no cargo até 17 de setembro, é responsável também pela área administrativa da Procuradoria, que envolve mais de 70 subprocuradores-gerais.

 

Os subprocuradores-gerais atuam em casos em todos os tribunais superiores, entre eles está o os subprocurador Augusto Aras, indicado ontem para suceder Dodge na PGR.

 

Na ação, Guimarães argumenta que pediu que um auxiliar dele tenha a vaga na garagem para “agilidade dos trabalhos” do gabinete. Porém, diz Guimarães, o pedido foi negado com base em uma portaria que prevê vagas apenas para os subprocuradores, não para auxiliares.

 

“Os argumentos utilizados pela Senhora Procuradora Geral da República não encontram ressonância nas normas do Direito Administrativo. Existem várias vagas desocupadas na garagem, o que demostra claramente a má vontade da Autoridade coatora em atender, no final do seu mandato, o pedido do impetrante eis que em todo o período de sua gestão os questionamentos foram feitos”, afirmou.

 

O caso está nas mãos da ministra Cármen Lúcia, que vai analisar o pedido.

 

Fonte: G1

Governo repassa R$ 443 milhões para o programa Minha Casa Minha Vida

O governo federal anunciou que repassou ontem (5) R$ 443 milhões para o programa Minha Casa Minha Vida, a informação é do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Segundo a pasta, a expectativa é que até a próxima semana sejam liberados mais R$ 100 milhões para o programa.
“A preocupação do presidente Jair Bolsonaro é com as famílias de baixa renda. E que, mesmo em um período de ajuste fiscal, as pessoas não percam seus empregos e a economia fique aquecida. Serão injetados no mercado R$ 543 milhões para garantir a continuidade de 234 mil unidades em andamento no país”, ressalta o ministro Gustavo Canuto.

O aporte financeiro faz parte dos R$ 600 milhões que foram liberados pelo Ministério da Economia ao MDR na segunda-feira (2). Dos R$ 443 milhões, cerca de R$ 366,1 milhões destinam-se ao Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), a Faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, que atende famílias com renda mensal de R$ 1.800.

 

O ministério informou ainda que a modalidade Rural está recebendo R$ 20,8 milhões. O valor será destinados a agricultores familiares, trabalhadores rurais ou de comunidades tradicionais, como quilombolas, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos e indígenas.

 

Outro repasse, de R$ 20,3 milhões, será destinado ao Minha Casa Minha Vida Entidades, que contempla famílias organizadas por meio de cooperativas habitacionais, associações e demais entidades privadas sem fins lucrativos. Também está previsto um aporte de R$ 7 milhões do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNIS) para este segmento.

 

Além disso, haverá também a liberação de recursos para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), no valor de R$ 19,8 milhões, que serão utilizados para novos financiamentos às Faixas 1,5 e 2 do programa.  “Nossa preocupação é tirar a população que está em moradia precária e colocar em situação de moradia digna, bem como as famílias que moram em áreas de risco, em encostas ou que tenham passado por desastres e estejam à espera de nova moradia”, afirma o ministro.

 

Os demais recursos, do total de R$ 600 milhões disponibilizados pelo Ministério da Economia, serão utilizados em outras políticas públicas do MDR, como as ações e investimentos nas áreas de segurança hídrica, saneamento básico, mobilidade, desenvolvimento regional e urbano, além da Defesa Civil Nacional.

 

Fonte: Agência Brasil

Jogadores do Botafogo cobram publicamente salários atrasados

Insatisfação total no Botafogo. Os dois meses de salários atrasados de jogadores e funcionários provocaram uma cobrança pública aos dirigentes alvinegros. O capitão Joel Carli, Gabriel e João Paulo, em uma improvisada coletiva de imprensa, ontem (5) à tarde, manifestaram a indignação do elenco.

 

“Acima de tudo está o clube, a instituição, a gente vai continuar defendendo o Botafogo dentro de campo, com todas as nossas forças, mas fica nossa cobrança para que não continue como normal esta situação de atrasos”, ponderou João Paulo.

 

O zagueiro Gabriel também lembrou do lado dos funcionários. “Tentamos nos colocar no lugar deles e tentamos ajudar doando uma cesta básica, pagando um boleto, dando até uma palavra de consolo”.

 

O Botafogo volta a campo no próximo domingo (8), às 16h, no Estádio Nilton Santos. Para tentar atrair mais público, a diretoria reduziu para R$ 30 o preço do ingresso.

 

Fonte: Agência Brasil

Foto: Botafogo TV

Com emenda apresentadas pelos vereadores, lei que regulamenta aplicativos de transporte é aprovada

Os vereadores aprovaram, na sessão ordinária de ontem (05), o Projeto de Lei 9.430/19, do Executivo Municipal, que dispõe sobre o transporte remunerado privado individual de passageiros. A proposta foi bastante debatida e aprovada com emenda coletiva, em nome dos vereadores, para contemplar prestadores de serviço e usuários dos aplicativos de transporte.

 

A proposta foi aprovada em regime de urgência, em única discussão e votação. Foram apresentadas, por oito vereadores, 17 emendas modificativas, supressivas ou aditivas, chegando a um total de 84 alterações. Como tinham emendas repetidas, alterando ou suprimindo um mesmo inciso ou artigo, a Comissão Permanente de Legislação, Justiça e Redação Final, a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito e o Apoio Legislativo da Casa de Leis compilaram as emendas de forma coletiva, em consenso da maioria, para votação na sessão desta quinta-feira.

 

O vereador Prof. João Rocha, presidente da Câmara Municipal, esclareceu que a emenda coletiva contemplou alterações de todos os vereadores que apresentaram as solicitações, dentro da preservação de direitos e deveres.  “Esta Casa tem responsabilidade de promover equilíbrio porque somos representantes do povo, em tomar melhor cuidado de fazer o melhor projeto, que atenda os usuários. O lado da Casa é o do cidadão, do prestador de serviço e do usuário”, disse.

 

O vereador Otávio Trad, presidente da Comissão Permanente de Legislação, Justiça e Redação Final, explicou que o projeto foi elaborado e alterado de maneira democrática na Casa de Leis, ouvindo as partes para que todos se pronunciassem. Ele esclareceu que para otimizar tempo e ser objetivo nas ideias e propostas de alterações, foi feita a emenda de consenso pela maioria dos vereadores. “É um projeto de iniciativa do Executivo e nós estamos votando com melhorias que, nós vereadores, a maioria deles, entendemos como pertinentes”, disse.

 

Ele exemplificou o item acerca do cartão ou adesivo de identificação visual dos veículos cadastrados, em que vereadores propuseram tamanhos diferentes ou até mesmo que o item não fosse obrigatório. Na emenda aprovada, ficou definido o cartão de 21 centímetros. Ainda está previsto credenciamento válido por 12 meses (projeto inicial previa seis meses e algumas emendas 24 meses), além de obrigatoriedade do curso, ponto bastante discutido, estabelecendo que seja gratuito e pode ser feito online.

 

A regulamentação prevê a necessidade de credenciamento junto às Operadoras de Tecnologia de Transporte (OTT), responsáveis pela intermediação entre os motoristas prestadores de serviço e os seus usuários, recibo eletrônico para o usuário contendo alguns itens específicos. A norma estabelece ainda regras básicas para as operadoras e requisitos mínimos para prestação de serviços.

 

Na Ordem do Dia, durante a discussão, o projeto foi debatido pelos vereadores que ocuparam a Tribuna para apresentar seus diferentes pontos de vista acerca das alterações. Os vereadores André Salineiro e Vinicius Siqueira solicitaram que algumas de suas emendas, que não constavam na emenda coletiva que compilou as alterações, fossem colocadas em discussão e votação. Eles consideram que não podem ocorrer restrições às atividades e disposições contrárias à legislação federal. As emendas foram colocadas em votação e rejeitadas em Plenário pela maioria. Algumas proposições de Salineiro e Siqueira foram colocadas na emenda coletiva. Eles votaram contra a proposta final, por conta dos itens que não foram contemplados.

 

Tramitação 

 

O projeto vem sendo debatido há mais de um ano na Câmara, como relembrou o vereador Prof. João Rocha no início da votação. Inicialmente, o prefeito tinha publicado decreto com as normas, o qual acabou sendo questionado na Justiça. O projeto de Lei foi apresentado e debatido pelos vereadores. Foi promovida Audiência Pública para debater a proposta de regulamentação.

 

O debate, convocado pela Comissão Permanente de Legislação Participativa da Câmara Municipal reuniu representantes da classe, além de taxistas, mototaxistas e autoridades no setor. A proposta acabou sendo retirada da tramitação da Casa pelo Executivo e reapresentada no dia 8 de julho, com algumas mudanças do original. Os vereadores, acatando sugestões de usuários e motoristas, fizeram as emendas, resultando na aprovação durante a sessão desta quinta-feira, com a emenda coletiva, alterando  alguns artigos. Agora, o Projeto segue para sanção ou veto do Prefeito, com as alterações aprovadas pelos vereadores.

Governador sanciona lei que pune prática de atos de discriminação racial

O governador Reinaldo Azambuja sancionou a lei que estabelece punições administrativas a serem aplicadas pela prática de atos de discriminação racial.

 

A lei proposta pelo deputado estadual Pedro Kemp foi publicada no Diário Oficial do Estado de ontem (05.9), garantindo assim a penalidade a todo o ato discriminatório por motivo de raça ou cor praticado no Estado por qualquer pessoa, jurídica ou física, inclusive que exerça função pública.

 

“O Governo do Estado é comprometido com o combate a qualquer forma de discriminação, a lei tem seu caráter pedagógico de ampla visão, divulgando o que pode ser considerado um ato discriminatório. A luta contra o racismo tem que ser coletiva, por respeito à cidadania, a vida e a liberdade”, ressalta a Secretária Estadual de Cidadania, Luciana Azambuja.

 

Na publicação da lei, foi vetado o artigo 4º, que previa o relato do crime na Internet e, após o recebimento da denúncia, a obrigatoriedade do órgão administrativo em instaurar processo administrativo para apuração e transmitir notícia à autoridade policial competente.

 

“Quanto ao artigo vetado, precisamos regulamentar, estruturar um setor responsável para essa nova demanda, capacitando as pessoas que irão receber essas denúncias. Estamos alinhando uma reunião para a criação de um grupo de trabalho envolvendo representações do Movimento Negro do Estado, para que juntos possamos discutir a melhor forma de implementação dessa nova lei”, afirma a Subsecretária Estadual de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, Ana José Alves.

 

Entre os atos discriminatórios elencados pela nova lei estão: ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória; constrangimento ao ingresso ou permanência em ambiente ou estabelecimento aberto ao público;  recusar a utilização de serviços, meios de transporte, consumo de bens e artísticos; impedir a locação e compra de bens móveis ou imóveis; praticar o empregador, ou seu preposto, atos de coação direta ou indireta sobre o empregado, dificultar a ascensão em empresa pública ou privada e incitar o preconceito.

 

“A proposta foi que através de uma legislação estadual possamos reforçar a luta contra o racismo. Ela estabelece sanções administrativas a serem aplicadas pela prática de atos de discriminação racial. O projeto de Lei foi inspirado na história de uma jovem negra que ao comprar sua refeição em um restaurante de Campo Grande foi maltratada, precisamos acabar com situações como essa”, conclui o deputado estadual Pedro Kemp.

Polícia Militar Ambiental captura filhote de onça-parda perdido da mãe em canavial

Policiais Militares Ambientais de Dourados foram acionados por funcionários de uma usina sucroenergética, localizada no município de Vicentina, em virtude de um filhote de onça-parda (Puma concolor) que estaria perdido da mãe em um canavial na quarta-feira (4) à tarde. Os Policiais foram ao local e perceberam que o animal estava debilitado em meio ao canavial, indicando que estava sem os cuidados da mãe. A PMA acredita que a onça mãe tenha sido acuada de alguma forma, ou mesmo por medo de algum barulho, abandonou o filhote.

 

A equipe capturou o filhote e o encaminhou à fazenda Green Farm CO2 Free, em ItaquiraíOs animais que são apreendidos e capturados pela PMA nas regiões mais próximas dessa propriedade são para lá encaminhados. A fazenda que trabalha com questões ambientais relativas a neutralização voluntária de carbono e educação ambiental possui estruturas de Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), pois é criadora conservacionista autorizada, bem como trabalha com reprodução de espécies em cativeiro, para a possível reintrodução na natureza. Os animais encaminhados recebem atendimentos veterinários e outros cuidados e ficam à disposição do CRAS, de Campo Grande.

 

UFMS: Pesquisa com liquens investiga potencial antimicrobiano

Há dois anos a Organização Mundial da Saúde publicou sua primeira lista de “agentes patogênicos prioritários” que representam grande ameaça à saúde humana. A preocupação com o aparecimento de superbactérias, em especial as Gram-negativas, resistentes em sua maioria a múltiplos antibióticos, mobiliza a comunidade científica.

 

Professora Ana Camila Micheletti

Debruçar-se sobre a questão começa ainda na pesquisa básica, caminho inicial para descobertas mais avançadas. Nessa linha, a professora Ana Camila Micheletti, do Instituto de Química (Inqui) investiga o potencial antimicrobiano de extratos e compostos isolados de liquens.

 

“Avaliamos a atividade antibacteriana dos liquens – extratos e compostos isolados. Trabalho também com síntese dos compostos com potencial antibacteriano, bem como com avaliação para outros grupos, pesquisadores que trabalham com produtos naturais, com compostos sintéticos, complexos metálicos”, explica a professora.

 

A pesquisadora está aperfeiçoando as técnicas para poder extrair maior número de resultados em cada ensaio. Com relação especificamente ao trabalho dos liquens, foram obtidos alguns resultados bem interessantes com extratos e alguns compostos isolados.

 

“Esses são ensaios preliminares, avaliamos qual seria a atividade sobre algumas cepas bacterianas selecionadas. Temos parceria com o pessoal do Hospital Universitário que fornece algumas cepas isoladas de pacientes (parte clínica)”, diz.

 

São solicitadas para a pesquisa cepas com perfil de resistência alto, ou seja, que sejam bem resistentes a diversos antibióticos. São cepas multirresistentes de bactérias que estão aparecendo com uma certa frequência.

 

“As bactérias estão ficando cada vez mais resistentes e estamos um passo atrás. Não conseguimos igualar, o que dirá estar um passo à frente nesse momento. Tentamos trabalhar com algumas bactérias que são definidas pela OMS como prioritárias”, completa a professora.

 

Ana Camila explica que dependendo do tipo de composto que irá trabalhar, requisita algumas espécies de bactérias. “Temos algumas parcerias onde o pesquisador me diz de antemão que provavelmente sejam compostos mais tóxicos, então eu seleciono bactérias que em geral são de pele, como o Staphylococcus aureus”.

 

A professora também procura estabelecer parcerias com pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (Famez). “Se eu encontro compostos e extratos interessantes nos meus ensaios, converso com os pesquisadores que me cederam o material para saber se têm interesse de avaliar também com as bactérias que são problemáticas para a Veterinária, estabelecendo um meio de campo entre os pesquisadores daqui e da Famez”.

 

Resultados

 

Placas de bioautografia,

Para pesquisas, a professora possui acervo com quatro ou cinco cepas comerciais, com perfil de suscetibilidade conhecido, e mais 10 a 12 isolados clínicos. Na pesquisa em andamento, foram utilizadas duas cepas comerciais e duas clínicas resistentes.

 

“Tivemos resultados bem legais, com potencial interessante. Quando trabalhamos com produtos naturais em geral, frisamos que a natureza tem um potencial absurdo para gerar produtos de interesse comercial dentro de várias áreas e a farmacêutica é a principal delas, mas não quer dizer que ao se alcançar um composto ativo num teste preliminar isso vai chegar a virar um fármaco”, explica a professora.

 

Mas é interessante conhecer esse grande potencial que a natureza tem para gerar produtos, afirma Ana Camila, sendo imprescindível promover a conservação da biodiversidade. Na pesquisa a professora utiliza espécies de liquens da Antártica e alguns do cerrado da região de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, entre outras regiões.

 

Em todo o mundo, ainda são preliminares os testes com uso de líquens com funções antibacterianas, havendo relatos na medicina tradicional chinesa e indígena americana.

 

Os liquens são organismos que crescem numa velocidade lenta e não são facilmente cultiváveis. Esse é um problema, porque liquens crescem muito lentamente. Um organismo de 20 anos pode gerar poucos gramas de extrato.

 

São compostos que têm interesse maior para servir como modelos. “Avaliamos o produto natural, mas se tiver um grande potencial farmacológico, a estratégia seria a síntese total ou de um pedaço da parte mais ativa da estrutura”, expõe Ana Camila.

 

Com técnica de microdiluição em caldo, a pesquisadora oferta as bactérias tudo o que elas precisam para crescer: meio de cultura rico em nutrientes e com temperatura adequada e acrescenta uma concentração das substâncias isoladas ou dos extratos. “Variamos essas concentrações de um número grande para um pequeno. Deixamos crescer por 24 horas e avaliamos onde o microrganismo se desenvolveu”.

 

De acordo com a literatura, na Concentração Mínima Inibitória (CMI) de até 10 microgramas por ml, a atividade é considerada significativa. Entre 10 e 100, moderada e acima de 100, baixa. Para extratos, que são misturas mais complexas, até 100 é significativa, entre 100 e 625 é moderada e acima desse valor, baixa.

 

“Analisamos compostos e extratos com CMI muito significatica, inclusive para bactérias resistentes. É bem interessante. É tudo preliminar, ainda não fizemos ensaios de toxicidade, por exemplo, para avaliar se há risco de ser tóxicos para células de mamíferos”, aponta a professora.

 

Ser bactericida ou bacteriostático não é uma característica chave para um composto ser considerado ideal para o tratamento de uma infecção bacteriana. Enquanto as substâncias bacteriostáticas inibem o crescimento, as bactericidas provocam a morte da bactéria.

 

“É só uma classificação. Existem antibióticos que são bacteriostáticos. Não é necessário matar as colônias bacterianas para deter a infecção. As sulfas são bacteriostáticas, são antibióticos utilizados na terapêutica”.

 

As atividades dos compostos e extratos tiveram seletividade para as bactérias Gram-positivas. “As Gram-negativas são os maiores problemas em termos de infecção hospitalar, são mais difíceis de tratar. A parede celular é mais complexa, é mais difícil de fármaco atingir, são problemas maiores”, explica.

 

Líquens são associações de algas e fungos que produzem compostos muito diferentes das plantas. “Temos uma associação entre algas e fungos que produzem uma coisa completamente diferente desses dois em separado, com potencial biológico absurdo. A Literatura mostra que a quantidade de compostos de liquens com alguma atividade biológica de interesse para os humanos é muito grande. São muito interessantes, e apesar de terem toda essa química diferente, os metabólicos que produzem são mais simples que uma boa parte dos que são produzidos pelas plantas. São uma associação muito elegante. Produzem uma carga menor de compostos, com uma simplicidade estrutural com relação a plantas superiores, mas com potencial muito grande”.

 

Pesquisando liquens desde a época de iniciação científica, a professora Ana Camila, que no Doutorado trabalhou com a modificação estrutural de compostos de liquens, a partir do isolamento e modificação química da estrutura desses compostos, é uma entusiasta nas pesquisas de antimicrobianos.

 

“As mortes e morbidades causadas pelas bactérias estão superando as causadas pelo câncer. E evoluem numa velocidade muito grande. Precisamos urgentemente trabalhar na busca de novos compostos”, afirma.

 

Fonte: UFMS

Foto: Jacqueline Marques Petroni