Na seca do Pantanal, Governo de Mato Grosso do Sul socorre pecuária e garante alternativas de escoamento de commodities

As ações do Governo do Estado no combate aos focos de calor no Pantanal e o acompanhamento sistemático das condições de navegabilidade no Rio Paraguai, que tem prejudicado as exportações via hidrovia pelo Atlântico, tem sido fundamentais para reduzir os impactos ambientais, na qualidade do ar e econômicos no bioma pantaneiro e garantido alternativas seguras de escoamento de commodities.

 

A Operação Pantanal II, desencadeada com apoio das Forças Armas após decretação de situação de emergência ambiental no Pantanal pelo governador Reinaldo Azambuja, em 24 de julho, vem alcançando êxito na eliminação da maioria dos incêndios florestais. Por meio de novo decreto de situação de emergência, desta vez no meio rural das cidades pantaneiras de Corumbá e Ladário prejudicado pela seca, mais uma vez o Estado cumpre seu papel na gestão de crises.

 

Fumaça dos incêndios sobre Corumbá, cobrindo a planície pantaneira, afeta saúde da população

 

“Os decreto de emergência e a portaria do Imasul suspendendo a queima controlada por 180 dias foram necessários diante da situação que estamos passando, onde os índices pluviométricos indicam uma estiagem mais crítica e prolongada dos últimos 30 anos, com efeitos não somente ambientais, mas às exportações de grãos e minérios pelo Rio Paraguai”, afirmou o secretário Jaime Verruck, da Semagro (secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar).

 

Socorro ao campo

 

A situação de emergência rural, que está sendo analisada pela Secretaria Nacional de Defesa Civil para receber o crivo federal, levou em consideração o aumento das causas de doenças respiratórias e aos indicadores climáticos, que preveem uma estiagem longa e extrema. A medida beneficia diretamente os produtores rurais do Pantanal, os quais estimam, com a seca e as queimadas, prejuízos com a falta de pasto e queda de produção do rebanho bovino.

 

Incêndios, e a falta de pastagem, efeitos da seca na pecuária e no meio ambiente: Embrapa avalia prejuízos

 

“Mais uma vez o governador Reinaldo Azambuja atende a classe pantaneira”, afirma Luciano Leite, presidente do Sindicato Rural de Corumbá. “Com esse decreto, estamos pleiteando uma linha de crédito especial para compra e retenção de matrizes e infraestrutura, além da prorrogação de financiamentos”, afirma. “O decreto veio em boa hora, socorrendo uma pecuária que hoje abastece o mercado com bezerros e emprega milhares de pessoas.”

 

Boas estradas

 

A falta de chuvas no bioma pantaneiro, que depende das águas das cabeceiras dos rios da bacia, afeta também outro setor primordial da economia regional: as exportações de grãos e minério de ferro pelo Rio Paraguai. O titular da Semagro estima que o baixo nível do rio, em queda diária, impedirá a saída de 40% do volume de soja previsto dos portos de Porto Murtinho este ano. Há riscos de suspensão da navegação de grandes comboios.

 

Exportações de soja pelos terminais de Porto Murtinho: nível do Rio Paraguai chegará a 2m em meados de agosto. Foto: Chico Ribeiro

Com a gestão do Estado na manutenção e recuperação permanente das principais rodovias pavimentadas e de revestimento primário que integram o eixo de suporte ao sistema produtivo, segundo Jaime Verruck, Mato Grosso o Sul evita um colapso no escoamento das exportações de commodities direcionadas à hidrovia. “As exportações pelo rio estão comprometidas e as boas estradas vão minimizar prejuízos expressivos ao setor”, aponta.

 

“Vamos ter efeitos em outros setores, como no turismo e na produção pecuária do Pantanal. O nosso governo tem mantido uma política de apoio a estas atividades produtivas, além de monitorar toda a questão da preservação ambiental e da biodiversidade”, disse Verruck. Em relação à mineração, ele adiantou que a Vale deve escoar mais de 1 milhão de toneladas de minério das jazidas de Urucum por rodovias, devido às restrições na Hidrovia do Paraguai.

 

Com restrições do rio e sem a ferrovia, Vale levará minério de ferro de Urucum por rodovias até os portos de Santos

Situação crítica

 

Com a meteorologia indicando chuvas somente a partir de setembro na região pantaneira, os pecuaristas já recorrem a construção de açudes e poços artesianos para garantir água ao rebanho. A seca impacta a agroecologia, onde o estresse hídrico da pastagem, nativa ou plantada, afeta a condição nutricional do gado, segundo Carlos Padovani, pesquisador da Embrapa Pantanal. “E mesmo a dessedentação do gado pode ficar comprometida”, afirma.

 

O pesquisador estima que a seca deste ano será uma das piores dos últimos 50 anos. Segundo ele, o volume de chuvas, entre outubro de 2019 e março de 2020, foi menor em 40% em relação a média das precipitações para o período. O pico do Rio Paraguai, na régua de Ladário, foi de 2,06 metros, em 14 de junho, e o processo de vazante em andamento deixará o rio em situação crítica, podendo alcançar a cota zero ou negativa em meados de outubro.

 

Cejuscs de Campo Grande recebem pedidos pré-processuais via WhatsApp

Os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania da Comarca de Campo Grande estão com mais uma facilidade para a população resolver conflitos, sem a necessidade de abertura de ações judiciais e, agora, sem sair de casa. Apenas com uma mensagem de WhatsApp os interessados podem pedir a abertura pré-processual, por exemplo, de um divórcio.

 

Os telefones para ter acesso aos pedidos são:

– Cejusc – TJMS – (67) 98472-8046;
– Cejusc – Cijus- (67) 98478-2207;
– Cejusc – Defensoria Pública -Unidade Horto-(67) 98465-4062;
– Cejusc – Associação Comercial de Campo Grande-(67) 98467-4019

 

Basta gravar na agenda do seu celular algum destes Cejuscs e mandar uma mensagem.

 

Os pedidos pré-processuais são aqueles em que nenhuma das partes ingressou com um processo no Poder Judiciário e estão dispostos a passar pelos métodos de Conciliação ou Mediação, com profissionais capacitados pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).

 

Além de pedidos de divórcio, é possível pedir uma mediação ou conciliação para os seguintes casos: dissolução e reconhecimento de união estável, modificação de guardas e visitas e fixação de alimentos aos filhos.

 

Mandando um pedido de mediação ou conciliação pré-processual, via WhatsApp, é necessário documentação pessoal e comprovante de residência. A audiência será marcada posteriormente por um mediador e acontecerá por meio de videoconferência. Todas as dúvidas relacionadas ao procedimento podem ser retiradas, também, via WhatsApp.

 

Confira os requisitos necessários para fazer o pedido:

1- nome das partes (requerente e requerido)
2- pedido (assunto pretendido)
3- telefone celular das partes
4- comprovante de residência do requerente
5- identidade da parte requerente
6- certidão de nascimento dos filhos (caso houver)
7- certidão de casamento (caso for divórcio)

 

Os coordenadores do Nupemec, Des. Vladimir Abreu da Silva e Des. Ruy Celso Barbosa Florence, respectivamente de conciliação e de mediação, são apoiadores da pacificação social e disseminação da política de tratamento adequado de resolução de disputas.

Vereadores votam cinco Projetos de Lei amanhã, em sessão ordinária remota

Vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande iniciam os trabalhos legislativos do segundo semestre deste ano, com a votação de cinco Projetos de Lei na sessāo ordinária de terça-feira (4). Em decorrência da pandemia de Covid-19, como forma preventiva, as sessōes serāo realizadas de forma remota, por meio de videoconferência, sem a presença em Plenário. Todo o trabalho, com a votação de Projetos, será transmitido pelo Facebook da Casa de Leis  https://www.facebook.com/camaracgms/ e Youtube https://www.youtube.com/camaramunicipalcg.

 

Em única discussāo e votaçāo, os vereadores votam o Projeto de Lei 9.794/20, de autoria do Executivo, que regulamenta os artigos 130 e 131 da Lei Complementar 341, de 4 de dezembro de 2018 e suas alterações, que institui o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e o Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV) em Campo Grande. Conforme o projeto, Estudo e Relatório terão de ser elaborados pelos empreendedores para contemplar os efeitos positivos e negativos do empreendimento quanto à qualidade de vida da população residente na área ou proximidades, avaliando uma lista de itens, a exemplo do trânsito, demandas por serviços e infraestrutura urbana, geração de poluição ambiental e sonora, entre outros. O projeto foi debatido pelos vereadores e técnicos da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) em Audiência Pública on-line, promovida pela Câmara Municipal no dia 8 de junho. Leia mais sobre o debate clicando aqui.

 

Os vereadores votam ainda quatro Projetos de Lei em segunda discussão. Será votado o Projeto de Lei 9.464/19, que altera dispositivos da Lei 5.166, de 28 de dezembro de 2012, que dispõe sobre normas para cobrança de preço pelo estacionamento de veículos nos estacionamentos particulares de Campo Grande. A proposta do vereador Papy proíbe multa por extravio de cartāo de estacionamento, devendo os estabelecimentos manterem registros da entrada e saída dos veículos.

 

Também será votado o Projeto de Lei 9.647/19, do vereador Prof. João Rocha, que dispõe sobre a denominação da Unidade de Saúde da Família localizada no Bairro Nova Bahia de “Conselheiro de Saúde Edney Arantes de Campos”.

 

Os vereadores votam ainda o Projeto de Lei 9.720/20, que dispõe sobre afixação de cartaz informando o telefone do Grupo Amor Vida (Gav). A Associação presta serviço humanitário de prevenção do suicídio mediante o apoio emocional à pessoa em crise, via telefone ou, em casos extraordinários, presencial. O grupo atende pelos telefones 3383-4112, (67) 99266-6560 (claro) e (67) 99644-4141 (vivo). A proposta é dos vereadores Otávio Trad e Enfermeira Cida Amaral.

 

Por fim, também será votado o Projeto de Lei 9.733/20, da vereadora Dharleng Campos, que dispõe sobre o incentivo ao cultivo de citronela e ou crotalária, como método natural de combate à dengue no Município de Campo Grande.

 

Medidas preventivas

 

Mesmo com a pandemia, a Câmara Municipal manteve as sessōes ordinárias, para votaçāo de Projetos de Lei, com a presença dos vereadores no Plenário Oliva Enciso. Entretanto, para minimizar os riscos, as sessões e Audiências Públicas realizadas no período foram fechadas ao público, que pode acompanhar e participar dos trabalhos pelas transmissões ao vivo nas redes sociais.

 

Outras medidas foram adotadas de forma preventiva, como uso obrigatório de máscaras dentro da Câmara Municipal desde o começo de maio, redução no número de funcionários no prédio com adoção do teletrabalho, álcool em gel em todos os setores.

 

Diante do aumento dos casos em Campo Grande, os vereadores retomam as atividades depois do recesso – que foi do dia 17 a 31 de julho – com a primeira sessão ordinária de forma remota, mantendo as transmissões ao vivo, como forma de garantir mais segurança e manter os trabalhos legislativos para discutir assuntos de interesse da comunidade e votação de projetos.

 

Hoje foram publicados em Diário Oficial dois atos da Mesa Diretora. Um deles altera disposições sobre o expediente na Câmara Municipal, que continua das 8h às 12h,  de segunda a quinta-feira, com revezamento por setores. Outro trata do Sistema de Deliberação Remota (SDR), que permite as sessões remotas por meio de solução tecnólogica para discussão e votação de matérias submetidas à deliberação dos parlamentares.

 

Balanço

 

No primeiro semestre, os vereadores apresentaram mais de 300 projetos de lei e quase 20 mil indicações de melhorias para os bairros da Capital. Foram realizadas 44 sessões ordinárias e 11 Audiências. Também, todas as quartas-feiras, a Comissão Especial em apoio ao Combate à Covid-19 da Câmara promove lives para debater as medidas de prevenção e enfrentamento à pandemia, com a presença de convidados e também passaram a adotar o sistema de videoconferência.

Caixa credita hoje saque emergencial do FGTS para nascidos em junho

Cerca de 5 milhões de trabalhadores nascidos em junho começam a receber hoje (3) o crédito do saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de até R$ 1.045. Serão liberados R$ 3,2 bilhões nas contas poupança digitais abertas pela Caixa Econômica Federal em nome dos beneficiários.

 

Instituído pela Medida Provisória 946 , o saque emergencial do FGTS pretende ajudar os trabalhadores afetados pela pandemia do novo coronavírus. Ao todo, o governo pretende injetar R$ 37,8 bilhões na economia, beneficiando cerca de 60 milhões de trabalhadores.

O valor do saque é de até R$ 1.045, considerando a soma dos valores de todas contas ativas ou inativas com saldo no FGTS. Cada trabalhador tem direito a receber até um salário mínimo (R$ 1.045) de todas as contas ativas e inativas do fundo.

Nesta fase, o dinheiro poderá ser movimentado apenas por meio do aplicativo Caixa Tem. A ferramenta permite o pagamento de boletos (água, luz, telefone), compras com cartão de débito virtual em sites e compras com código QR (versão avançada de código de barras) em maquininhas de cartão de lojas parceiras com débito instantâneo do saldo da poupança digital.

 

Liberação para saque

 

 

O dinheiro só será liberado para saque ou transferência para outra conta bancária a partir de 3 de outubro, para os trabalhadores nascidos em junho. O calendário de crédito na conta poupança digital e de saques foi estabelecido com base no mês de nascimento do trabalhador.

Até agora, a Caixa creditou o saque emergencial do FGTS para os trabalhadores nascidos de janeiro a maio.

O pagamento está sendo realizado conforme calendário a seguir:

 

Mês de nascimento Dia do crédito na conta poupança social digital data para saque em espécie
janeiro 29 de junho 25 de julho
fevereiro 06 de julho 08 de agosto
março 13 de julho 22 de agosto
abril 20 de julho 05 de setembro
maio 27 de julho 19 de setembro
junho 03 de agosto 03 de outubro
julho 10 de agosto 17 de outubro
agosto 24 de agosto 17 de outubro
setembro 31 de agosto 31 de outubro
outubro 08 de setembro 31 de outubro
novembro 14 de setembro 14 de novembro
dezembro 21 de setembro 14 de novembro

Orientações

 

A Caixa orienta os trabalhadores a verificar o valor do saque e a data do crédito nos canais de atendimento eletrônico do banco: aplicativo FGTS, site e telefone 111 (opção 2). Caso o trabalhador tenha direito ao saque emergencial, mas não teve a conta poupança digital aberta automaticamente, deverá acessar o aplicativo FGTS para complementar os dados e receber o dinheiro.

O banco alerta que não envia mensagens com pedido de senhas, dados ou informações pessoais. Também não envia links nem pede confirmação de dispositivo ou acesso à conta por e-mail, SMS ou WhatsApp.

 

Cancelamento docrédito automático

 

O trabalhador poderá indicar que não deseja receber o saque emergencial do FGTS até dez dias antes do início do seu calendário de crédito na conta poupança social digital, para que sua conta do FGTS não seja debitada.

 

Caso o crédito dos valores tenha sido feito na poupança social digital do trabalhador e essa conta não seja movimentada até 30 de novembro de 2020, os valores corrigidos serão retornados à conta do FGTS.

 

Fonte: Agência Brasil

Polícia Militar Ambiental apreende 600 metros de redes e solta pescado no rio

Durante fiscalização no lago da usina Sérgio Motta, no rio Paraná, Policiais Militares Ambientais do Grupamento de Anaurilândia apreenderam ontem à tarde e na madrugada e manhã de hoje (2), 12 redes de pesca armadas, medindo ao todo 600 metros. Parte das redes estava armada, inclusive, nas proximidades do aterro da Usina, que se trata de local proibido para a pesca e outra parte nas proximidades Três Barras. Os infratores não foram identificados. Durante a retirada dos petrechos, os policiais soltaram aproximadamente 12 kg de pescado que estavam presos às redes, porém, vivos.

 

O uso de petrechos proibidos do tipo redes de pesca é muito comum na região, pois, nos lagos das Usinas Hidrelétricas do rio Paraná, este petrecho é permitido para o pescador profissional, desde que identificado com placas com número do registro e com malha de tamanho a partir de 140 milímetros. Ocorre que muitos pescadores profissionais armam redes com malha menor à permitida e não identificam, além de pescadores amadores utilizarem estes petrechos sem previsão legal, o que caracteriza crime ambiental. Também armam redes emendadas, às vezes com mais de 2 km como se fosse rede única, sendo que a legislação só permite no máximo 100 metros, localizadas, a pelo menos, 150 metros uma da outra.

 

Uma das preocupações da Polícia Militar Ambiental relativamente à pesca predatória é o uso desses tipos de petrechos proibidos com grande poder de depredação de cardumes como as redes de pesca, dessa forma, a PMA continuará com a fiscalização nos rios para evitar a pesca predatória e a depredação dos cardumes, evitando que as pessoas armem os petrechos, ou pelo menos, fazer a retirada sem que tenha prejudicado os cardumes.

 

A manutenção da fiscalização e retirada destes petrechos precisam ser constantes, tendo em vista, a grande capacidade de captura e ocasionamento de mortes dos peixes, pois, os elementos armam o material pela madrugada e ficam somente conferindo, quando não observam presença da fiscalização, o que torna a prisão dos elementos que armam os petrechos ilegais muito difícil, devido ao pouco tempo que ficam nos rios.

A quarentena que exacerbou os casos de violência contra a mulher

Por Cristiane Bomfim – “Semanas atrás atendemos uma paciente que precisava de internação para investigação clínica, apesar de não da inexistência de risco iminente de morte. Quando o parceiro dela chegou ao hospital, não permitiu que a internação ocorresse e assumiu qualquer risco pela saúde da paciente. Nós não tínhamos um relato de ameaça ou agressão por parte da mulher, mas a situação de possível abuso imposto pelo parceiro incomodou toda equipe assistencial”, contou o médico Erick Piorino na primeira semana de julho. Ele é clínico geral e médico referência da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Chácara Klabin do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

 

Embora “ficar em casa” seja a principal recomendação para conter a propagação do novo coronavírus e o adoecimento pela Covid-19, o isolamento social tem outro significado para algumas mulheres: medo, angústia e aumento das chances de violência psicológica e física. A quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus aumentou o número de denúncias feitas no Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. Entre janeiro e abril de 2020, foram 37,5 mil registros ante 32,9 mil no mesmo período do ano passado. A alta de 14,12% representa 310 chamadas por dia relatando e abuso ou violência.

 

O aumento da violência contra a mulher durante pandemia não é uma exclusividade brasileira. No condado de Jianli, província de Hubei, na China, o departamento de polícia relatou o triplo de casos de violência doméstica em fevereiro de 2020 na comparação com o mesmo mês de 2019. Na França, os relatos de violência contra a mulher cresceram 30%, sendo que em Paris o crescimento foi de 36%. Na Espanha, o número de emergência para atendimento de mulheres vítimas recebeu 18% mais ligações nas duas primeiras semanas de bloqueio que no mesmo período do mês anterior.

 

“Para algumas mulheres, é muito difícil passar mais tempo em casa diante das incertezas da economia familiar, com maior consumo de álcool e droga nesse período de isolamento. Estresse, álcool, drogas e questões econômicas são potencializadores da violência. Mas é importante entender que esses componentes não são motivadores dela. A violência já ocorria antes”, explica Conceição de Maria Mendes de Andrade, cofundadora e superintendente-geral do Instituto Maria da Penha.

 

No estado de São Paulo, de acordo com o relatório de Violência Doméstica Durante a Pandemia produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os atendimentos de violência contra a mulher cresceram 44,9% em março de 2020 na comparação com o mesmo período do ano anterior – eles passaram de 6.775 para 9.817. Ainda em São Paulo, o número de feminicídios saltou de 13 no ano passado para 19 em 2020. Já no Mato Grosso, a alta deste tipo crime foi de 400%, com registro de 10 casos em março deste ano contra 2 no ano anterior. O estudo analisou dados do Acre, Ceará, Pará e Rio Grande do Sul.

 

Apesar dos atendimentos aumentarem, as queixas de violência estão sendo menos formalizadas. Exceto pelo Rio Grande do Norte, todos os estados tiveram queda no número de registros de boletins de ocorrência: 29,1% a menos no Ceará e 28,6% a menos no Acre, por exemplo. “É uma análise que precisa ser cuidadosa. A violência aumentou, mas a formalização dela não. Isso acontece porque em muitos casos os Boletins de Ocorrência exigem a presença da vítima. E aí tem questões como a dificuldade de sair do lado do companheiro para fazer a denúncia e a redução nos horários de atendimento de algumas delegacias”, afirma a cofundadora do Instituto Maria da Penha.

 

Na área da saúde, ainda não há levantamento que verifique o crescimento de atendimentos médicos motivados por violência contra mulher neste período de quarentena. “Já é uma característica deste tipo de vítima não procurar de imediato um pronto-socorro. Com a questão do isolamento e o fato de muitas pessoas evitarem o uso de serviços de saúde neste momento, é possível que o problema esteja subdimensionado”, explica Erick Piorino, médico do Einstein.

 

De acordo com o médico, os aspectos mais comuns em mulheres vítimas de agressão são: queixas que não justificam a lesão (por exemplo, ela chega com marcas de estrangulamento e alega que foi a gargantilha que causou o ferimento), demora para procurar o atendimento médico, presença de uma figura masculina constrangendo a paciente durante a consulta, descontinuidade do tratamento e histórico de abortos consecutivos. “Também é comum não irem sempre na mesma unidade de saúde e alternar os horários para evitar criar uma relação de confiança com a equipe de assistência”, diz.

 

Do lado psicológico, não é incomum pacientes sofrerem com crise de ansiedade, depressão, medo constante e até o transtorno por estresse pós traumático, que é caracterizado pela dificuldade de se recuperar após vivenciar um acontecimento assustador. É como se a vítima ficasse revivendo constantemente, inclusive com sintomas físicos, as situações que a traumatizaram. “Cada indivíduo reage de uma forma diante de uma situação de violência. Os danos podem ser muitos e vão do medo, vergonha e perda da autoestima até uma depressão profunda e outros transtornos”, explica Ana Merzel, psicóloga do Einstein.

 

Para especialistas, a inibição de crimes que atentem contra as mulheres é responsabilidade de toda a sociedade. “É nosso dever, quanto sociedade, formar uma rede de apoio. Então, preste atenção aos sinais, nos barulhos da vizinhança. Não podemos aumentar o volume da série que estamos assistindo e fingir que não é nosso problema, porque é. Temos de estar perto das nossas amigas, da nossa família”, diz Conceição, do Instituto Maria da Penha.

 

“A atenção e empatia podem ajudar muitas mulheres”, afirma Piorino. Ele lembra que vários estudos sobre o tema mostraram que a implantação de questionários com simples perguntas podem ajudar na identificação de casos de violência contra as mulheres. Um guia médico elaborado pelo Comitê da Sociedade Médica de Massachusetts para Intervenção e Prevenção da Violência apontou que uma única pergunta aberta – como por exemplo “Em qualquer momento, um parceiro atingiu, chutou, machucou ou assustou você?” –  feita rotineiramente, de forma direta e sem julgamento, pode triplicar as chances de detecção deste tipo de violência na prática médica.

 

Os tipos de violência contra a mulher

 

A violência contra a mulher quase nunca começa com a agressão física agressão física. São consideradas violência pela Lei Maria da Penha:

 

·         Violência Psicológica

·         Patrimonial

·         Moral

·         Sexual

·         Física

 

 

“Normalmente, o agressor afasta a mulher do convívio com família e amigos, não deixa que ela estude ou trabalhe, sente muito ciúmes. Ele vai diminuindo a mulher e minando a autoestima dela. Depois começa a demonstrar ameaça, quebrando as coisas na casa durante uma discussão. Ele pode controlar as finanças dela, como por exemplo, tirando o cartão do banco dela e se tornando a única fonte de renda, pode obrigá-la a manter relações sexuais simplesmente pelo fato dele ser o marido, o namorado, o noivo. Tudo isso é caracterizado crime pela Lei Maria da Penha”, explica Conceição de Maria Mendes de Andrade, cofundadora e superintendente-geral do Instituto Maria da Penha

 

 

 

Fonte: Agência Einstein

 

OMS prevê que pandemia durará muito tempo; doença registra 675.060 mortos e infectou quase 17,4 milhões no mundo

O Comitê de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que a pandemia da covid-19 irá durar muito tempo e, por isso, é necessário continuar os esforços para a sua contenção em todo o mundo. Segundo dados oficiais da OMS, a doença já provocou 675.060 mortos e infectou quase 17,4 milhões de pessoas em todo o mundo.

 

O grupo de cientistas, que se reuniu por videoconferência, avaliou a evolução da pandemia de covid-19, tendo em conta toda a informação científica que surgiu sobre o novo coronavírus nos últimos três meses, data da última reunião.O Comité de Emergência da OMS é composto por 18 cientistas de vários países.

 

“A pandemia é uma crise sanitária que ocorre uma vez em cada século e os seus efeitos serão sentidos nas décadas seguintes”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao Comité, segundo um comunicado da organização.

 

O responsável fez também um balanço do que tem acontecido, salientando que “muitos países que pensavam que o pior já tinha passado estão agora enfrentando novos surtos, outros que tinham sido menos afetados estão com aumentos de casos e  de óbitos, enquanto países que tiveram grandes surtos conseguiram controlá-los”.

 

Recomendações

 

Entre as principais recomendações que o Comitê de Emergência dirigiu à OMS está a necessidade de continuar a apoiar os países com serviços médicos mais frágeis, bem como a necessidade de continuar a impulsionar as investigações em curso para se encontrar um ou mais tratamentos e vacinas para a covid-19. O objetivo é que, quando existir uma vacina, os países com menos recursos não fiquem de fora por incapacidade de as comprar.Ou seja, defendeu o Comitê,  afirmando que a distribuição de vacinas deve ser a mais equitativa possível.

 

Atualmente três potenciais vacinas (dos Estados Unidos, da Inglaterra e China) estão na fase três dos ensaios clínicos, para testar a sua segurança e eficácia.

 

A OMS referiu a este propósito que poderá ser possível que uma vacina esteja pronta para comercialização “na primeira metade de 2021”.

 

Relativamente às viagens, o Comite indicou que os países devem tomar medidas proporcionais e aconselhar os cidadãos em função dos riscos, avaliando as suas informações de forma regular.

 

Por outro lado, recomendou que os serviços de saúde sejam reforçados para permitir a identificação de novos casos e o rastreio de contatos.

 

Fonte: Agência Brasil

Lobo-guará, escolhido para ilustrar a cédula de R$ 200, sofre ameaça de extinção

O lobo-guará, escolhido para ilustrar a nova cédula de R$ 200, está entre as 1.173 espécies da fauna ameaçadas de extinção. A estimativa é que no Brasil vivam cerca de 24 mil lobos-guará, com maior concentração no Cerrado. Eles podem ser encontrados ainda, em menor número, na Mata Atlântica, no Pantanal e no Pampa.

 

A espécie sofre com a degradação do meio ambiente, avanço desordenado de atividades humanas sobre o Cerrado e centros urbanos, o que leva à perda de habitats. Também é afetada pelo aumento da caça, por atropelamentos e disseminação de doenças a partir do contato com cães domésticos.

 

“O lobo-guará é talvez a espécie mais icônica do bioma Cerrado. É um animal sempre associado à imagem dos vastos campos e savanas permeados pelas belíssimas veredas que compõem as paisagens especiais do Brasil central. É muito importante associarmos nosso patrimônio natural a símbolos de valor, mas isso precisa vir associado à consciência de que para sobreviverem necessitam que seu habitat natural esteja preservado”, destaca Reuber Brandão, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor associado da Universidade de Brasília.

 

O lobo-guará figura na lista de espécies ameaçadas do Portal da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, na categoria de vulnerável, e depende da preservação de seus ambientes naturais para continuar existindo.

 

Segundo a RECN, estima-se que cerca da metade da área original do Cerrado já tenha sido destruída. Incêndios florestais, obras de infraestrutura para energia hidrelétrica e demanda por carvão vegetal para a indústria siderúrgica também ameaçam o bioma.

 

“Precisamos entender que existe diferença entre valor e grandeza. Apesar da escolha da espécie para ilustrar as novas cédulas de real ser positiva, o valor destes organismos e da natureza brasileira é imensamente superior ao valor nominal do dinheiro. Nesse caso, a grandeza se traduz por meio de medidas efetivas pela proteção do patrimônio natural imenso, insubstituível e único. É atribuir valor à conservação da biodiversidade, do bioma Cerrado, das Unidades de Conservação de Proteção Integral e ao icônico e elegante lobo-guará”, avalia Brandão.

 

Lobo-guará

 

Elegante e discreto, o lobo-guará (chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo silvestre da América do Sul. Ele pode atingir até um metro de altura e pesar 30 quilos. Sua pelagem laranja avermelhada, além da beleza, lhe confere alguns apelidos, como lobo-de-crina e lobo-vermelho. Sua gestação dura pouco mais de dois meses, com média de dois filhotes. Livre na natureza, vive cerca de 15 anos. Além do Brasil, é encontrado na Argentina, Bolívia, Paraguai, Peru e Uruguai.

 

Segundo a RECN, o lobo-guará tem comportamento discreto, solitário e pouco ofensivo, preferindo se manter distante dos humanos. Geralmente, pode se alimentar de animais de grande porte, como os veados campeiros, ou pequeno porte, como roedores, tatus e perdizes, além de frutos típicos do Cerrado, como o araticum (Annona crassiflora) e a lobeira (Solanum lycocarpum), também atuando como importante dispersor de sementes.

 

Cédulas

 

O lobo-guará ficou em terceiro lugar em uma pesquisa realizada pelo Banco Central (BC) sobre quais animais em extinção deveriam ser representadas em novas cédulas.

 

Segundo o BC, a imagem da nota de R$ 200 ainda não está disponível porque está na fase final de testes de impressão. O lançamento está previsto para o final de agosto deste ano.

 

A tiragem em 2020 será de 450 milhões de unidades, equivalentes a R$ 90 bilhões.

 

Fonte: Agência Brasil

Nove estados e Distrito Federal podem voltar às aulas nas escolas particulares

Após cerca de quatro meses com as aulas suspensas, estados começam a sinalizar a volta às aulas presenciais nas escolas. De um lado, melhor equipadas, de maneira geral, que as escolas públicas, as escolas particulares defendem que estão prontas para uma retomada com segurança. Do outro, há professores e funcionários que não se sentem seguros com o retorno e dizem que a permanência nas salas de aula e uma maior circulação de pessoas nas cidades podem aumentar os casos de infecção pelo novo coronavírus.

 

De acordo com o Mapa de Retorno das Atividades Educacionais presencial no Brasil, elaborado diariamente pela Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), até sexta-feira (31), havia, no país, um estado com a reabertura autorizada das escolas, Amazonas. Outros nove estados e o Distrito Federal têm propostas de data para retornar às atividades presenciais. São eles: Acre, Pará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, na capital, a prefeitura autorizou o retorno facultativo para algumas séries este mês. As demais unidades da federação estão sem data definida.

 

“Na parte operacional já está tudo certo, temos protocolo, a gente já sabe o que fazer. Agora é uma questão política, porque, tecnicamente, já têm as condições sanitárias em muitos locais para voltar. Tem a necessidade das escolas funcionarem para não quebrarem, necessidade dos pais e das crianças. Também, para não prejudicar as crianças do ponto de vista pedagógico. Tem todas essas questões. Agora, a decisão é política”, diz o presidente da Fenep, Ademar Batista Pereira.

 

Professores e trabalhadores em educação, no entanto, dizem que não estão sendo consultados para a definição dos protocolos de segurança e que temem um retorno às aulas. “Neste momento, não existe protocolo seguro, não existe. Os órgãos de saúde estão dizendo que é perigoso, que não tem condição, nem com afastamento. Ainda mais criança. Não tem condição de garantir um protocolo completamente seguro”, diz a coordenadora geral da Contee, Madalena Peixoto.

 

A questão foi levada para o Ministério Público e para a Justiça em algumas unidades da federação. Segundo levantamento da Contee, no Distrito Federal, o Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinproep-DF) acionou o Ministério Público. Em reunião entre o Ministério Público do Trabalho e a 6ª Vara do Trabalho, ficou mantida a suspensão das aulas presenciais nas escolas do setor privado do DF. Uma audiência de conciliação envolvendo as várias partes está marcada para segunda-feira (3). Em São Paulo, a Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp) também acionou o Ministério Público do Trabalho contra a volta às aulas, previstas para 8 de setembro.

 

No Mato Grosso, o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino no Mato Grosso (Sintrae-MT) notificou os estabelecimentos de ensino da responsabilidade pela garantia da incolumidade física e mental dos professores e administrativos ao convocá-los para a realização de atividades em suas dependências. Na cidade do Rio de Janeiro, os professores decretaram, em assembleia do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro  e Região (Sinpro-Rio), uma greve no início de julho.

 

Aulas no Amazonas

 

A escola Meu Caminho, em Manaus, retomou as aulas presenciais no dia 6 de julho. Desde então, professores, funcionários e estudantes todos os dias seguem a mesma rotina: checam a temperatura, higienizam as mãos e higienizam os calçados em um tapete com uma solução de água sanitária. Somente então podem se dirigir às salas de aula. Os funcionários receberam máscaras, escudos faciais e aventais. Os estudantes, que têm de 6 a 10 anos de idade, precisam também usar máscaras.

 

Os alunos passaram a frequentar a escola de forma escalonada, parte fica em casa, assistindo as aulas de forma remota e parte vai presencialmente. Os grupos se revezam, o que faz com que a sala de aula tenha menos estudantes e seja possível manter um distanciamento entre eles.

 

O estado é o único no país a permitir o retorno das aulas presenciais nas escolas particulares. Segundo a diretora da escola Meu Caminho e vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe-AM), Laura Cristina Vital, seguir o protocolo sanitário é fundamental para garantir a saúde. “A execução das medidas sanitárias do protocolo de segurança é uma coisa super importante que precisa ser seguida para que tenhamos o balanço positivo que estamos tendo”, diz. Segundo ela, a escola elaborou também por conta própria um protocolo para ser seguido no local.

 

“Mesmo com todo esse processo que a gente precisa seguir, eu acredito que o presencial é fundamental”, diz Laura. “Mesmo que passe alguns dias aqui e outros em casa, nos dias que está de forma presencial, a gente consegue acompanhar e entender como essa criança está se desenvolvendo”, defende.

 

Após a retomada das aulas presenciais na rede particular, esta semana, o governo do estado anunciou o retorno às aulas presenciais nas escolas públicas estaduais em Manaus a partir do dia 10 de agosto. Ainda não há data para o retorno no interior do estado.

 

“Estamos acompanhando com bastante preocupação”, diz o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo. A entidade representa os trabalhadores de instituições públicas. A entidade defende que os trabalhadores participem da elaboração dos protocolos e que os governos estaduais e municipais garantam a execução das medidas. “Para isso será necessário mais investimento no setor público”, ressalta.

 

Educação infantil

 

educação infantil é a etapa que mais sofre com a suspensão das aulas presenciais, dentre outras razões pela dificuldade de oferecer educação remota a bebês e crianças da creche e pré-escola, etapa que vai até os 5 anos de idade.

 

Levantamento feito pela Fenep mostra que, em média, a inadimplência no setor chegou a 35%, sendo que o cancelamento de matrículas ocorre em maior proporção na educação infantil. De acordo a análise dos dados da pesquisa, dois terços dos estudantes poderão abandonar as creches particulares neste ano, o que reflete em aproximadamente 1 milhão de crianças fora da escola, levando ao fechamento de instituições de ensino privadas.

 

“A nossa posição é que os estados que estão com baixas estáveis [de contágio pelo novo coronavírus] devem reabrir [começando] pela educação infantil. As crianças de 4 sofrem danos psicológicos muito grandes porque não têm estrutura psíquica para lidar com o que está acontecendo”, diz a presidente da Associação Brasileira de Educação Infantil (Asbrei), Celia Moreno Maia.

 

Segundo Celia, a partir dos 4 anos, as crianças são capazes de usar máscaras, de internalizar hábitos de higienização e de cumprir o distanciamento. Além de atender as necessidades das crianças, Celia defende que a reabertura impactará a rotina dos pais. “Os pais estão enlouquecidos. Alguns já tiveram covid, as crianças já estão com imunidade. Pais que estão de home office precisam fazer a comida, dar banho, colocar para dormir. Crianças nessa faixa etária demandam atenção o tempo todo. Isso está levando a um estresse familiar. Temos condições de amenizar essa situação reabrindo as escolas de educação infantil, com critérios [sanitários]”, defende.

 

Análise caso a caso

 

Segundo a pneumologista Patrícia Canto, que é assessora da vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cada município e cada estado precisa, entre outros critérios, avaliar se há queda de taxa de transmissão do novo coronavírus sustentada, se há leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) disponíveis e se o sistema hospitalar pode dar conta de possível aumento de casos.

 

A volta às aulas, segundo ela, precisa ser acompanhada pelas autoridades e, se houver sinal de contágio em uma sala de aula, o profissional de educação ou aluno precisa ser afastado e testado. Se houver um caso em uma sala, a sala inteira precisa entrar de quarentena, cumprindo isolamento para evitar a transmissão do vírus.

 

“A situação do retorno é muito complexa e coloca em risco maior não as crianças, [mas os adultos]. Pelos estudos, até o momento, os menores de 9 anos transmitem menos e tem casos menos graves na maioria das vezes, embora também possam adoecer. Mas a partir dos 9 anos de idade, os estudos mostram que aumenta a taxa de transmissão e risco de transmitirem aos adultos seria maior”, diz.

 

Patrícia diz que é preciso um protocolo rígido e considerar diversas situações, como por exemplo, professores que trabalham em diferentes escolas, com diferentes condições de cumprir os cuidados com higienização pessoal e do ambiente. Esses professores vão circular entre essas escolas. Além disso, é preciso considerar, em regime alternado entre estudantes com aulas presenciais e estudantes em aulas remotas, que todos tenham acesso às aulas pela internet ou outros meios. Professores, funcionários e estudantes que façam parte de grupos de risco, não devem retornar às aulas presenciais.

 

“É importante que seja um cenário muito controlado, é importante que tenha medidas de vigilância muito focadas nas escolas e é importante que a gente não esqueça a segurança dos trabalhadores, dos pais e dos próprios alunos”, diz, Patrícia, que acrescenta: “A gente tem um contingente de crianças que está sofrendo, exposta à violência doméstica, a insegurança alimentar, porque a escola oferece alimento diário. Tem risco de evasão escolar, a gente sabe que pode ter uma maior evasão e crianças que vamos perder e não vão mais retornar às escolas. É uma situação muito complexa que precisa ser analisada caso a caso, município a município”.

 

Na semana passada, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz lançou um manual sobre biossegurança para a reabertura de escolas no contexto da covid-19. Patrícia destaca que só se pode pensar em um retorno, obedecendo a várias variáveis, nos locais onde há uma descedente da curva de transmissão do novo coronavírus e onde essa queda é permanente por, no mínimo, 14 dias.

 

Fonte: Agência Brasil