Vagas dos vestibulares da UFGD têm 50% para estudantes de escola pública

Aproximadamente 50% das 1.842 vagas oferecidas nos cinco vestibulares que estão com inscrições abertas na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), são destinadas para estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública, com recorte sobre a renda familiar e cotas para negros (pretos e pardos), indígenas e pessoas com deficiência.

 

Essa política afirmativa foi criada há oito anos pela Lei n.º 12.711/2012 e para evitar fraudes e assegurar o acesso para quem realmente tem direito, o candidato aprovado, quando convocado para fazer a matrícula, terá que comprovar sua condição de cotista por meio de documentos que serão analisados por comissões específicas para cada situação. Os documentos estão relacionados no Edital de Divulgação PROGRAD n.º 57/2020 e a não comprovação resultará na reclassificação do candidato nas vagas de ampla concorrência.

 

As vagas das cotas estão subdivididas para abranger a diversidade das questões socioeconômicas. Ao escolher o sistema de ingresso por reserva de vagas, o candidato também deverá escolher a faixa de renda em que se enquadra, ou seja, se sua família recebe em média mais ou menos que um salário mínimo e meio por pessoa. Depois disso, o candidato irá declarar a sua opção para o item cor/raça e também irá marcar se é pessoa com deficiência.

 

Comprovação que é cotista

 

Para comprovar que possui renda familiar igual ou inferior a um salário mínimo e meio, ano que vem, quem foi aprovado e convocado para matrícula precisará apresentar para a Comissão de Análise de Renda uma série de documentos. São eles: a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), a Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), a Declaração de Contas Bancárias (anexo III do Edital de Divulgação PROGRAD n.º 57/2020) e a Declaração de Imóveis e Veículos (anexo IV do edital). Quem tiver renda acima de 1,5 salários mínimos per capita não precisa apresentar essa documentação.

 

Outra subdivisão é baseada nos critérios de cor e raça definidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A proporção segue os termos da legislação e é no mínimo igual à soma de indígenas e negros (pretos/pardos) da população do estado do Mato Grosso do Sul, que é de 51,95%, e de pessoas com deficiência (PCD) que é de 21,48%, apurados segundo o último censo do IBGE. Além dessas cotas, o Conselho Universitário/COUNI da UFGD regulamentou nova vaga, reservada em cada curso de graduação da Universidade, para ingresso de indígenas que não estudaram exclusivamente em escola pública.

 

Negros, indígenas e pessoas com deficiência passarão por comissões diferentes. Além da apresentação da autodeclaração para os candidatos negros (pretos/pardos), será feito pela Comissão Geral de Heteroidentificação da UFGD um procedimento de confirmação dessa autodeclaração, que levará em conta características fenotípicas do candidato (como a cor de sua pele e demais traços comuns a pessoas pretas e pardas) não sendo analisadas características genotípicas (descendência) ou informações constantes de documentos (como certidão de nascimento).

 

Já quem precisa comprovar que é indígena irá apresentar para a matrícula, o Registro Administrativo de Nascimento de Indígena (RANI) fornecido pela FUNAI ou a declaração da liderança indígena atestando o pertencimento ao povo indígena.

 

Enquanto isso, os candidatos convocados para ocupar as vagas de pessoa com deficiência deverão apresentar laudo médico e/ou laudo psicológico (somente no caso de pessoa com deficiência intelectual), contendo as informações listadas no Edital de Divulgação PROGRAD n.º 57/2020, e terão sua documentação verificada pela Comissão de Verificação de Documentos da Condição de Pessoa com Deficiência.

 

 

Inspiração

 

Com muito foco e força de vontade, Carla Lopes saiu da periferia de Campo Grande para estudar Medicina na UFGD. Depois de quatro anos de cursinho, dois deles no Instituto Luther King, ela passou no Vestibular pela reserva de vagas para estudantes de escola pública e neste vídeo feito no ano passado, ela incentiva os jovens a enfrentarem o que chama de abismo social e lutarem pelos seus sonhos.

 

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